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Viagem ao passado


Mas, afinal, o que é um sambaqui? A palavra vem do tupi-guarani, em que tamba significa conchas e ki, monte. Segundo Carla Aline Kryszczun, na Cartilha de Educação Patrimonial intitulada “Histórias e Saberes de Balneário Piçarras” (p. 12), “o homem do sambaqui viveu no litoral do território nacional há cerca de 5.000 anos (...)

Por Prof. Márcio Roberto de Oliveira
Sábado, 17 de janeiro de 2026 13:41


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Foto do Sambaqui Figueirinha II, em Jaguaruna (SC), Brasil. Fonte: Wikimedia Commons.

Vivemos pensando no futuro, mas não podemos nos esquecer do passado que está ao nosso redor no presente — muitas vezes, materializado em coisas ou lugares tão simples que sequer percebemos ou, pior ainda, destruímos por não lhes darmos o devido valor.

É o caso dos sambaquis existentes em Balneário Piçarras. Vários deles foram destruídos no bairro Santo Antônio, durante o aterramento de lotes de terra na Rua Sambaqui e no processo de construção do campus da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Ironicamente, hoje, esse mesmo campus abriga um museu oceanográfico e reúne o maior acervo do que restou dos sambaquis que existiam outrora naquele local.

Um dos principais motivos para a falta de valorização desse patrimônio é o desconhecimento sobre o tema. Mas, afinal, o que é um sambaqui? A palavra vem do tupi-guarani, em que tamba significa conchas e ki, monte. Segundo Carla Aline Kryszczun, na Cartilha de Educação Patrimonial intitulada “Histórias e Saberes de Balneário Piçarras” (p. 12), “o homem do sambaqui viveu no litoral do território nacional há cerca de 5.000 anos (...). Ao contrário de antigos julgamentos, seus resquícios arqueológicos não são simples ‘aterros de lixo’. São camadas criadas pelos próprios costumes (...) ou pela ação do intemperismo sobre suas oficinas de concentração do trabalho”.

Ou seja, os sambaquis são vestígios dos locais que estruturaram a vida social de povos indígenas que habitaram essa região há milhares de anos. Eles representam a maior fonte de informação sobre seus hábitos, costumes, modo de vida e cotidiano. Portanto, ao destruir um sambaqui, estamos também eliminando uma parte essencial da nossa história, criando um vazio que pode se tornar irreparável ou extremamente difícil de ser preenchido.

No bairro Tapera, também foram descobertos novos sambaquis, entre eles o denominado Piçarras 2, que, além da relevância arqueológica, revelou um rico fragmento da história local, com diversos artefatos datados entre o final do século XVIII e o início do XIX, remanescentes do período da colonização portuguesa. Infelizmente, apesar da descoberta, isso também não foi suficiente para impedir sua destruição.

Considerando que Santa Catarina abriga a maior concentração de sambaquis do mundo, resta a reflexão: quando, afinal, a nossa história terá espaço para coexistir com o progresso?


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