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O poder mágico da música


Talvez o maior poder mágico da música seja o que permanece após o som se dissipar: emoção, memória, inspiração, algo que não pode ser medido, mas que transforma ...

Por Emílio da Silva Neto
Quinta-feira, 08 de janeiro de 2026 20:19


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Um dos lugares que bem traduzem o poder agregador da música é o FEMUSC-Festival Internacional de Música de Santa Catarina, maior festival-escola de música erudita da América Latina, realizado em Jaraguá do Sul/SC, no mês de janeiro de cada ano.

Nele, de forma quase mágica, jovens se encontram, por acaso, na rampa de entrada da SCAR-Sociedade Cultura Artística, puxam suas partituras e tocam juntos, sem se conhecerem, sem ensaios ou apresentações anteriores e, impressionantemente, conseguindo fazer acontecer músicas, em seu estado mais puro !!!

Essa cena revela a essência da linguagem musical, que não precisa apresentação, currículo ou explicação prévia, bastando o gesto inicial e a primeira nota, para que o diálogo se estabeleça. Instrumentos diferentes se ajustam, respirações se alinham e, em poucos instantes, surge algo coletivo, desaparecendo diferenças sociais, culturais ou linguísticas, só importando o tempo, a afinação e a escuta mútua, como que evidenciando uma poderosa metáfora para a convivência humana: “quando há empatia, atenção e respeito, a harmonia é possível”.

Por isso, vale dizer que a música é o idioma universal, como que um eterno esperanto, aquela língua artificial criada, no século XIX, por Ludwik Zamenhof, polonês judeu, com o objetivo de ser uma ponte de comunicação universal, mas que nunca “pegou”.

O fato é que a música acompanha a humanidade desde tempos imemoriais, muito antes da palavra escrita, dos registros históricos ou das fronteiras entre povos. Antes de aprenderem a contar histórias com letras, os homo sapiens já as contavam com sons, batendo pedras, esticando cordas, soprando ossos ocos e, sem perceber, dando forma ao invisível.

A música nasceu como necessidade, não como luxo. Ela surgiu para marcar o tempo, unir pessoas, aliviar dores e celebrar vitórias. Desde então, nunca mais nos abandonou.

Enfim, a música fala diretamente à emoção humana, capacidade essa que faz com que ela ultrapasse fronteiras políticas e sociais, seus acordes provoquem alegria em qualquer continente e criem comunidades onde antes haviam apenas indivíduos.

Da parte deste colunista, a conclusão é irreversível: a aptidão instrumental é “um dom que Deus dá a poucos”. Por exemplo, seu Avô Emílio Da Silva foi cellista e cofundador da Scar e seu pai Emílio Da Silva Júnior foi primeiro violino das orquestras sinfônicas de Blumenau, Florianópolis e Curitiba. Mas, ele, apesar de horas e horas de estudo, “mal e mal” conseguiu tocar “Ave Maria” nos casamentos dos dois filhos. Ainda assim, viveu momentos de pleno significado, algo que a música sempre faz florescer.

Ah, não esqueçamos: a música ainda ensina disciplina, persistência e cooperação, exigindo do estudante de música, paciência para o progresso gradual, com o erro fazendo parte do processo.

Além disso, vale reforçar: tocar em conjunto exige escuta ativa, adaptação e respeito ao outro, competências essas, essenciais para a vida em sociedade.

Ademais, mesmo neste mundo acelerado, a música exige presença: não é possível tocar bem, estando distraído, ou seja, a necessária atenção plena germina este antídoto poderoso contra a tão presente superficialidade no dia a dia atual.

Por fim, a partir do título deste artigo, vale destacar: talvez o maior poder mágico da música seja aquilo que permanece depois que o som se dissipa: uma emoção, uma memória, uma inspiração, algo que não pode ser medido, mas que transforma.

E, poetizando um pouco ... melhor que a música, só o silêncio da natureza - onde cada pausa toca a alma e cada som existe apenas porque o silêncio o permite!!!


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