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'Ride the bike', muito mais que viajar


O mote “ride the bike” (pedale a bicicleta), mais que uma frase motivacional, é um lembrete de que o caminho importa tanto, ou até mais, que a chegada

Por Emílio da Silva Neto
Quinta-feira, 08 de janeiro de 2026 20:06


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Viajar a turismo é uma experiência que amplia horizontes, transforma rotinas e nos confronta com culturas, paisagens e perspectivas diferentes.

Ao planejar o roteiro, é preciso incluir o meio de transporte. Avião, ônibus, carro e bicicleta são alguns e a decisão entre eles envolve uma combinação de preço, conforto, rapidez, nível de autonomia e até tolerância pessoal ao chamado “aperto humano”.

Cada meio de transporte tem suas vantagens e limitações, e compreender essa balança ajuda na tomada da decisão mais adequada ao propósito da viagem.

Viajar de avião é, sem dúvida, o símbolo contemporâneo de deslocamento rápido entre grandes distâncias. Em poucas horas, cruzamos fronteiras, continentes e oceanos, algo que levaria dias de ônibus ou carro e semanas de bicicleta. No entanto, no voo comercial tornou-se conhecido um fenômeno recorrente: o “aperto humano”, aquela sensação de confinamento físico por desconfortos como fileiras lotadas, assentos estreitos, proximidade extrema entre desconhecidos, falta de liberdade para se movimentar, filas em aeroportos, longos períodos sentado e convivência compulsória em espaços apertados.

O ônibus e o carro permanecem como meios mais tradicionais e acessíveis para viagens curtas e médias, devido, principalmente, ao custo menor e à capilaridade, alcançando rotas sem avião. No caso do carro, há a vantagem adicional da escolha do horário de saída, ritmo, paradas, trajetos e, até, mudanças repentinas de rota, sem depender de horários fixos, passagens ou disponibilidade de transporte.

E chegamos nela, a bicicleta, o meio mais humano, ecológico e autônomo de viajar, representando liberdade, esforço físico, contato com a natureza e um ritmo de deslocamento profundamente pessoal.

A bicicleta permite, muito mais facilmente, parar onde se quiser, escolher rotas alternativas, seguir por trilhas, desacelerar ou acelerar conforme o próprio corpo, sem horários, bilhetes, filas ou normas.

Adicionalmente, o ciclista sente o cheiro, clima, vento e relevo, observando cada detalhe da estrada e das localidades. Enfim, é viajar em “alta resolução”, com zero emissões, silêncio e consumo mínimo de recursos. E, ainda, melhorando o condicionamento, reduzindo o estresse e aumentando o bem-estar. Para muitos, algo até terapêutico.

O custo principal é a própria bicicleta. Não há combustível ou pedágio e o sentimento de conquista é presente: cada quilômetro pedalado é fruto de esforço pessoal e a chegada ao destino carrega um senso de realização único.

Contudo, é necessário preparo muscular, resistência e adaptação a longas distâncias, chuva, calor intenso, frio extremo e ventos fortes. E, na falta de infraestrutura (acostamentos ou ciclovias, como as “Radwege” na Alemanha, ao lado das “Autobahnen”), há, ainda, o risco de divisão de espaço com veículos de toda natureza.

O viajante precisa planejar bem o que levar, pois percursos que um ônibus ou carro faz em horas, podem levar dias ou semanas, de bicicleta.

Tudo isso faz do mote “ride the bike” (pedale a bicicleta) não apenas uma frase motivacional, mas um princípio filosófico sobre o ser humano como agente de sua própria história, bem como, um convite à presença, à atenção, à consciência do agora e um lembrete de que o caminho importa tanto quanto a chegada, talvez até mais.

O “ride the bike” nos lembra, enfim, que a perfeição da jornada não está em evitar tropeços, mas em cultivar coragem suficiente para seguir adiante apesar deles.

Enfim, vale refletir: a) a bicicleta só cai para quem tenta, não para quem observa; b) enquanto o medo paralisa, o movimento transforma.

Obrigado, DEUS, pelos 26.000 km pedalados comigo, mundo afora.

Emílio da Silva Neto

PhD/Dr.Ing, Pós-Doc

www.arcoirisespecialidades.com

emiliodsneto@gmail.com

47 9 9977 9595


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