O livro não vai morrer!
Será que ainda há quem se lembre das revistas impressas O Cruzeiro, Realidade, Fatos & Fotos, Manchete, Capricho e, até, da “agonizante” Veja ?Por Dr Emílio
Sábado, 26 de julho de 2025 16:30Será que ainda há quem se lembre das revistas impressas O Cruzeiro, Realidade, Fatos & Fotos, Manchete, Capricho e, até, da “agonizante” Veja ? Ah e quem, ainda, lê algum jornal impresso, algo quase que em extinção, sendo o OCP (de Jaraguá do Sul/SC), inclusive, uma das raridades “heroicas”, atualmente no Brasil, frente à crescente popularidade do conteúdo digital ?!?
Pois, na Alemanha, onde estive, mais uma vez, em 2023, a caminho da emocionante Maratona de Jerusalém, os jornais e revistas impressas voltaram a inundar lojas de conveniência, sempre havendo pessoas folheando-os, até atrapalhando (rsrs) quem vai lá, já sabendo qual comprar.
É o que sempre digo, de forma clara e fluida: "o mundo gira e volta ao mesmo ponto, não é uma espiral, onde cada volta transforma tudo” ou de forma mais filosófica: “o mundo gira e retorna ao início. Não é uma espiral em que cada volta renova o caminho”.
Mas, e quanto aos livros, aos quais a minha paixão é cada vez maior, a ponto de eu sempre ter uns dois ou três no banco de trás do carro, na sala, na cozinha e no quarto de dormir ?!? Aliás, nada como uma boa leitura antes de eu ajoelhar junto à cama para a oração noturna, algo que aprendi com o Sr. URBANO, avô de meus filhos, que o fazia, até antes da “siesta” após almoço, mas ... sem leitura, pois isto nunca “foi com ele” (rsrsrs) ... nem mesmo da Bíblia, embora católico fervoroso.
Incontestavelmente, vivemos em um mundo cada vez mais dominado por telas e sons digitais, que moldam novas formas de absorver informação, dedicar momentos de lazer, aprender, criar e interagir.
Assim, será se o livro tradicional - aquele objeto físico, composto de folhas encadernadas e cheiro de papel e tinta - ainda terá espaço nesse cenário tão tecnológico?!?
É impossível prever o futuro com exatidão, mas é possível refletir: qual o valor do livro em um mundo digital? Por que muitas pessoas ainda preferem folhear páginas ?!? Que elementos sensoriais, cognitivos e sociais fazem do livro físico algo único? E, em que medida, as novas mídias digitais complementam ou concorrem com a presença do livro em nossa vida?
Em um mundo em constante evolução, é comum especularmos sobre o fim de formatos tradicionais, achando que o novo “matará” o velho. Contudo, a história mostra, por exemplo, que a TV não foi “assassina” do cinema, nem do teatro. E que o livro nunca desapareceu. Ele se adaptou, resistiu, renovou-se.
Por quê? Porque oferece uma experiência sensorial profunda, autônoma e afetiva, que nenhuma tela ou áudio, por si só, consegue replicar integralmente. Por isso, que telas e áudios não eliminaram o livro, mas até o reforçaram, a ponto de romances serem lidos mais e mais.
Enfim, essa convivência entre o papel e o digital representa uma sintonia entre passado e futuro: uma dança híbrida, em que cada formato tem seu lugar, seu ritmo e sua função. Ou seja, o livro físico permanecerá ativo - nas mãos, nas prateleiras, nas salas de aula, nos corações - compartilhando o palco com telas e áudios, que multiplicarão seu alcance, pois sua relevância vem da conjugação de tradição e inovação, de profundidade e acessibilidade, bem como, da combinação de toque, cheiro, tato e imaginação.
Assim, este articulista afirma, com total convicção: o livro continuará ao lado das telas, áudios e outras tecnologias, não como vítima, mas como “parceirão”, por ser fundamento e horizonte, presença e memória.
E eis minha talagada final, bradável “aos 04 ventos”: quando eu pego um livro em minhas mãos, eu me lembro de que, em cada uma de suas páginas “intercambiáveis”, sempre pulsará uma experiência única e insubstituível de imersão, de literatura e de vida.