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Editorial: Os avós da natureza


Os manguezais são os avós da natureza. Velhos guardiões entre a terra e o mar, acolhem a vida antes mesmo que ela aprenda a caminhar.

Por Redação Catarinorte
Domingo, 26 de julho de 2026 17:25


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Hoje o calendário nos oferece uma significativa coincidência: celebra-se o Dia Mundial de Proteção dos Manguezais e o Dia dos Avós. À primeira vista, datas distintas. Na essência, uma única lição.

Os manguezais são os avós da natureza. Velhos guardiões entre a terra e o mar, acolhem a vida antes mesmo que ela aprenda a caminhar. Em suas raízes retorcidas, peixes encontram abrigo, crustáceos iniciam sua existência, aves descansam e o mar aprende a respirar. São silenciosos, pacientes e generosos. Não pedem aplausos; apenas respeito.

Os avós das famílias também são assim. São raízes que sustentam, memórias que iluminam, abraços que acolhem e experiências que orientam. Guardam histórias, valores e afetos que nenhuma tecnologia consegue substituir. Ensinam mais pelo exemplo do que pelas palavras.

Entretanto, vivemos um tempo estranho. Enquanto destruímos manguezais em nome de um progresso apressado, muitas vezes relegamos nossos avós ao esquecimento em nome de uma modernidade distraída. Esquecemos que ambos representam aquilo que nos mantém vivos: as raízes.

Quem corta um manguezal empobrece a natureza. Quem ignora um avô empobrece a própria humanidade.

Talvez esta coincidência de datas seja um convite à reflexão. Proteger os manguezais é preservar o berço da vida marinha. Valorizar os avós é preservar o berço da nossa própria história. Ambos sustentam o futuro porque carregam consigo a sabedoria do tempo.

Que neste dia possamos abraçar nossos avós e defender nossos manguezais. Afinal, a natureza também tem seus anciãos — e nós fazemos parte dela, embora, por vezes, insistamos em esquecer.


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